Os Diabos Vestem Bershka

quinta-feira, 10 de julho de 2008

La semana con mis niños erasmus preferidos

Agora que se foram todos, agora que estou definitivamente instalada em minha casa, e que desfiz finalmente as malas e arrumei as minhas coisas, começo a sentir o estranho que é voltar. Este re-início não tinha custado, muito por causa de os ter cá a todos eles. No entanto, agora que voltaram todos para Barcelona, e o meu Maurito para Itália, sinto pela primeira vez o vazio de estar "sozinha", sem eles aos gritos pela casa, sem as suas gargalhadas e sem UN OTRA foto, UN OTRO momento. (Esta coisa do UN OTRO é uma private, que estivémos sempre a dizer por aqui...)

Para que um dia mais tarde me recorde do que fizémos, aqui deixo a mim mesma um pequeno resumo destes dias com eles cá:

Depois de um belo picnic no parc ciutadella e de uma bela noite passada na praia, com banhos de mar às 3h da manhã e croissants quentes às 5.30h, fomos para o aeroporto onde eu adormeci, literalemente, em pé encostada às malas. Depois de um ceck in perfeito - podia levar até 23kg e tinha 22kg na mala... - entrámos para o nosso avião, no qual dormimos regaladamente. Eu ao lado de Roberta, Claudia ao lado de Lisa e Mauro sozinho. Por volta das 12h estávamos a aterrar em terras lusitanas, onde nos esperavam o meu pai, a minha mãe, o meu mano e a minha tia. Depois de muitos abraços e beijinhos dirigimo-nos a casa onde a minha mãe tinha deixado um belo de um cozido à portuguesa preparado para o almoço. Degustámos tudo até ao fim e saímos os 5 muito alegres em direcção à baixa. A nossa ideia: ver o chiado e a baixa e jantar perto do castelo. Vimos efectivamente o chiado e a baixa, mas não jantámos perto do castelo. Em vez disso fomos comer perto do bairro alto (a um restaurante no qual trabalhava um senhor com dupla personalidade que tão depressa era simpatiquíssimo, como era super mau...) e depois movemo-nos para as entranhas do bairro alto, onde nos encontrámos com algumas das minhas meninas. Depois de umas horinhas no bairro, fomos, mais mortos que vivos, para casa.

Sexta feira, dia 4 de Julho, dormimos até às 8h, hora a que os meus pais entraram no nosso quarto cantando o "parabéns a você". Depois de recuperarmos todos o ritmo cardíaco normal, voltámos a adormecer, tendo-nos levantado depois por volta das 10h. Comemos e saímos para as praias da costa da caparica, onde nos íamos encontrar com mais meninas. O dia foi um normal dia de praia, passado a comer e a dormir, mas a melhor altura foi quando eles se aventuraram até à água, esperando uma temperatura mediterrânica e se depararam com uma temperatura polar... Foi hilariante. Da praia saímos cedo, viémos a casa tomar um duche, e seguimos em direcção ao estoril, onde íamos jantar com a minha família, para comemorar os meus anos. Jnatámos na feira do artesanato, apresentei-lhes alguns pratos estranhos - como caracois e moelas de frango - aos quais as meninas fizeram má cara, mas o mauro degustou até não caber mais. Assim é que eu gosto! Viémos para casa, fomos um pouquito ao tuareg e voltámos para casa, para dormir.

Sábado, dia 5 de Julho, levantámo-nos tarde e saímos ainda mais tarde, depois de nos refastelarmos (que é uma palavra bonita) com mais um delicioso prato português feito pela minha mãe. Desta feita, dirigimo-nos a belém, com ideias de ver a torre de belém, o padrão dos descobrimentos e o mosteiro dos jerónimos, passando depois pelos pastéis de nata, para comer um pouco mais. Os dois primeiros edifícios vimo-los, o mosteiro e os pastéis já não, porque eu tinha hora marcada no cabeleireiro por causa da minha personagem, e portanto tínhamos de sair cedo. Depois de deixar Roberta, Suavek e Mauro no colombo para comprarem os últimos detalhes para as suas personagens, vim pôr as minhas alemecas a casa e fui para o cabeleireiro. Perto das 19h, quando cheguei, os meus erasmus ainda não tinham chegado, pelo que lhes telefonei a perguntar onde estavam. Resposta: "estamos perdidos, estamos a passar pelo mar agora... Vemos mar..." Bom... A Ana tentou respirar, e passado um bom bocado lá conseguiu perceber que estavam perto e por isso os podia ir buscar ela mesma. Perto das 19.40 estavam todos em casa, pelo que se ducharam muito rápido, vestiram e saíram para a festa. Depois de algumas trocas e baldrocas (outra expressão muito apreciada por mim) com os carros e as boleias lá chegámos ao restaurante, onde algumas pessoas nos esperavam já.
Depois de um jantar muito animado, com as mesas separadas por grupos, onde se notava a união de cada um, tentámos uma pseudo-sessão de karaoke, que rapidamente foi deposta por um fim de noite no bairro alto. Aí permanecemos uma hora e pouco, até que a Roberta adormeceu literalmente em pé, no meio da rua, e nós decidimos voltar para casa, e dormir.

Domingo, dia 6 de Julho, acordámos tardíssimo e, perguiçosos como estávamos, decidimos almoçar em casa e sair da parte da tarde para o parque das nações. Quando saímos de casa o Suavek pediu "passemos antes na farmácia para eu comprar qualquer coisa para pôr no dente, que não aguento." ao que eu respondi "ok, mas então vamos já direitos ao vasco da gama e compras na farmácia de lá, porque a de telheiras deve estar quase de certeza fechada."
Chegados ao vasco da gama percebemos que não havia farmácia no vasco da gama, e que a farmácia de serviço (porque era domingo) mais próxima ficava onde? Em telheiras...Assim, apanhei um táxi com o Suavek, e recomendei aos outros que ficassem por ali e fossem passear para o pé do rio. Com as confusões da farmácia de dar ou não os antibióticos e não sei quê, acabei por não ir ter com eles outra vez, e enviei-lhes uma mensagem com o caminho de volta. Às 20h chegou o Mauro, para fazer o jantar, fomos ao Lidl comprar os ingredientes necessários e viémos cozinhar um jantar tipicamente italiano. Passado pouco tempo chegaram elas, jantámos, fomos ao tuareg, voltámos para casa, fomos ver o "Amor acontece" e adormecemos quase todos a meio. Quando acordei fomos todos para a cama e dormimos até ao dia seguinte.

Segunda feira dia 7, levantámo-nos mais tarde do que eu queria, porque o meu despertador tocou e eu voltei a adormecer. Saímos a correr para os carros e partimos rumo a Sintra. Antes de irmos para o palácio da pena, passámos na praia grande para apanharmos um bocadinho de sol. Ficámos pela praia uma hora e pouco, o suficiente para eles verem que aqui a água é meeeeeeesmo fria, e depois subimos para o palácio. É claro que eu tinha de me enganar e estivémos um quarto de hora a andar no sentido errado (e a pé) em direcção a monserrate e não ao palácio. Assim, voltámos para trás, apanhámos os carros e subimos, o que faltava, de carro. Depois de muitas fotos, muitos "wow que fixe!" e muitas lendas e histórias, era hora de descer e voltar para Lisboa, já que o Suavek tinha um avião às 21h. Comemos qualquer coisa cá em casa e fui levá-lo ao aeroporto. Beijinhos, abraços, até breves, e lá foi ele. Voltei para casa e fomos todos para o quarto, atrofiar uns com os outros e dizer parvoíces.

terça feira dia 8, acordámos por volta das 9h, levei as minhas alemecas e a minha italiana ao aeroporto, muitos beijinhos, muitos abraços, e lá foram elas também. Voltei para casa com o Mauro, apanhámos o metro e dirigimo-nos à baixa, para ele cumprir um objectivo que tinha desde que cá chegou: andar de eléctrico. Assim, aanhámos o 28 até ao castelo, mas não pedimos para que o senhor nos avisasse onde tínhamos de sair, pelo que saímos à toa, na que me pareceu a mais indicada. É claro que não era e andámos horas às voltas, comigo a fazer de turista e a pedir as indicações em espanhol para não parecer mal (achei que era triste uma portuguesa não saber onde era o castelo...).
Quando estávamos a chegar perto do castelo, a fome começou a atacar-nos de tal forma que tivémos de parar num restaurantezinho ao pé do castelo e comer umas belas dumas sardinhas e de uns escalopes antes de continuar a subida. Após o almoço, assomámos ao castelo e ficámos a ver as vistas e a tirar fotografias. Depois do castelo descemos para o metro, fomos até ao comboio, belém, pastéis de nata e mosteiro dos jerónimos. Muitas conversas, muitas histórias, e descobri que quero aprender mais sobre história de portugal... Castelos e palácios essencialmente, mas história de Portugal no seu todo. é estúpido ser portuguesa e saber tão pouco sobre o meu país...
Pronto, nessa noite ficámos por aqui por casa a ver um filme os dois, e na manhã seguinte ele acordou-me cedinho e fui pô-lo ao aeroporto.

Pensei que me ia custar muito mais despedir-me deles, mas a realidade é que dentro de um mês os revejo a todos, e por isso não há razão para ficar triste. Só posso estar contente pelo que vivi, pelo que partilhei e pelo que experimentei com cada um deles e com todos ao mesmo tempo. Porque na verdade gostei mesmo, mas é um capítulo que algum dia terá de ter o seu fecho. Os amigos? Esses ficam, para o resto dos meus dias...

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Ultimas palabras en barcelona

O quarto está praticamente vazio, tudo em malas, malinhas, sacos e saquinhos. A noite está praticamente silenciosa, apenas ouço de vez em quando um cão lá fora ou um restolhar das folhas das árvores. A casa está silenciosa, o Victor já foi dormir e o Fábio e a Mariola mantêm-se na sala a lutar contra o sono. Foi o último jantar com a minha família de aqui, será a última noite nesta cama que agora chamo minha, será a última memória das paredes cheias de outras memórias, de outros tempos, que em breve irei reviver, deixando estes para trás. Também em Lisboa vou encher o quarto de memórias que atenuarão a dor da despedida. Entre as fotos que colocarei estará o quadro que tu, Victor, me deste hoje e que me surpreendeu mais do que alguma vez poderia esperar.
O que vivi nestes 5 meses começou ontem e acabou hoje. Foi esse o tempo que estes meses levaram a passar: um dia. Não pareceu mais que isso, e embora as recordações sejam mais que muitas, embora os dias tenham sido super preenchidos e embora eu saiba que foram 5 meses, não deixo de pensar "só mais um bocadinho, só mais uns dias, só mais um semestre". Sabia que ia acabar, não sabia que ia custar tanto. Sabia que ia gostar, não sabia que ia gostar tanto. Sabia que não ia querer o fim, não sabia que ia querer um recomeço.
Porque é um capítulo que acabou e tenho de o encarar como tal, sei que o vou fazer eventualmente, só não sei quando as lágrimas pararão de correr, quando a memória dos sorrisos deixará de me apertar o nó que tenho na garganta e quando o peso incomensurável que sinto agora me sairá dos ombros e pesará nos álbuns, nas músicas, no papel.

A vocês, que sei que leêm o blog, embora não comentem, e que sei que percebem mais do que aquilo que poderiam pensar, só vos tenho a agradecer por tudo o que me ensinaram ao longo destes 5 meses... Deveria começar a escrever na nossa língua, deveria dirigir-me a vocês no nosso dialecto, que só nós entendemos, porque só nós temos a ligação que nos faz entender, mesmo com erros e com falhas. Sinto que não o posso fazer, para manter essa individualidade, essa marca só nossa e que mais ninguém conhece. Grande parte do que vos escrevi aqui, dir-vos-ei amanhã, a cada um, no pic-nic. Ainda assim, desta forma fica registado e gravado para sempre, tal como as memórias que temos juntos. Maurito, Lisa, Claudia, Roberta, Suavek, Fran, Max, principalmente a vocês só tenho de agradecer por tudo aquilo que me deram, me ensinaram e me fizeram ver ao longo deste tempo.

É claro que a pessoa a quem mais tenho de agradecer é a ti, meu esposo, meu amor, meu príncipe azul. Como te disse no início: sem ti não teria a mesma graça, não seria a mesma coisa. Repito-o agora, porque é verdade: sem ti não teria a mesma graça, não seria a mesma coisa. Aprendi, mais do que possas imaginar, contigo; ri contigo, chorei contigo, gritei contigo, abracei contigo (bom, a ti, mas era para continuar os "contigo"). Por cada momento, bom ou mau, que vivemos te agradeço e sei que este será um elo que nos ligará para sempre. Porque por mais velhos e resmungões que sejamos os dois, de cada vez que ouvirmos falar de Barcelona nos lembraremos disto, de nós, de todos. Custa-me pensar que não acabo contigo aquilo que comecei.Tu ficas, eu vou. Eu volto, tu não. De qualquer das formas durmo tranquila, sabendo que teremos sempre a nossa cidade, as nossas memórias e, principalmente, a nossa amizade. Porque gosto realmente de ti e não trocaria esta experiência contigo por nada no mundo!!

Para terminar, queria agradecer a todos aqueles que, incansavelmente, seguiram as nossas rotinas, as nossas vidas e se interessaram em manter viva a nossa memória. Aos meus pais, ao meu irmão, à minha tia e à minha avó, ao meu primo - que em tanto me acompanhou aqui e com quem vivi momentos tão bons - às minhas meninas telheirenses, à minha polaca mais lusitana que eu sei lá, em muito tão semelhante a mim, que me acompanhou via net por tudo o que vivi. A todos vocês e aos não mencionados, mas que estiveram presentes e me fizeram sentir viva em Lisboa, o meu maior obrigado e o aviso de que quando vos vir, o abraço será intenso.

Porque afinal, foram 5 meses, não um dia...

aos portugueses, até quinta!
aos estrangeiros, até sempre!

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Y ahora??

Bom... últimos dias, útlimas experiências, últimos relatos. Não estou triste, ainda não me bateu que vou ter de ir embora, e embora tenha a mala quase toda feita, é estranho, porque não me custou tanto fazê-la quanto pensava. É certo que me protegi e por isso fiz a mala ao mesmo tempo que a minha mãe fazia a sua (sim, porque a minha mãe esteve aqui nestes quatro últimos dias) e o exterior do quarto mantém-se igual. Apenas os armários estão quase vazios, mas esses estão sempre fechados e por isso quando entro acabo por não me aperceber que já não tenho as coisas todas como dantes. As fotos manter-se-ão na parede até ao dia 2, os mapas manter-se-ão na parede até ao dia 2 e tanto o linguado como o stich, tanto a pandeireta como a vela e o incenso, tanto o computador como os produtos de higiene manter-se-ão todos, até que chegue o dia. Depois de pôr a última coisa na mala, não penso voltar atrás, não penso voltar a entrar no quarto que foi meu durante 5 meses e que estará vazio, não penso olhar para o fim do meu quarto, da minha casa erásmica, do meu sant cugat, da minha barcelona. Será apenas uma viagem mais até ao aeroporto para ir buscar alguém (a sofia chega nesse dia), que por acaso será feita com uma mala a mais nas mãos, com um nó a mais na garganta e com um peso a mais nas costas. Nessa noite será a minha despedida, e embora saiba que provavelmente não vou aguentar as lágrimas, agora não penso em chorar, não penso num adeus definitivo, porque sei que vou voltar - aliás já tenho o bilhete de volta!

Contando um pouco o que se passou desde o último post, comunico-vos que dia 25 fizémos muito pouco. Basicamente mantivémo-nos em casa a tentar trabalhar alguma coisa, pois apareceu um trabalho mais, para além do exame de dia 26, de um trabalho de sociologia e dos dois relatórios que temos que fazer para a ESE. É verdade, agora à falta de um, temos dois relatórios para fazer! Bom, este foi o nosso dia de 25 de junho de 2008. Trabalhar para as duas faculdades. À noite, eu e a Mariola, fomos ao aeroporto buscar a minha mãe. Claro que tinham de mudar o terminal em que ela chegava, e claro que eu não sabia, por isso fui direita ao terminal B, e ela saía no terminal C. Felizmente vi isso a tempo e cheguei lá antes dela. Beijinhos, abraços, saudades, e viémos para casa para dormir.

dia 26 de junho - quinta feira, eu e a minha mãezinha fomos passear até à pedrera. Eu achava um bocado parvo ter vivido aqui 5 meses e nunca lá ter entrado, e a minha mãe partilhava da mesma opinião pelo que decidimos ir vê-la por dentro. Depois de pagarmos 5€ e 9€ para entramos (eu tinha cartão de estudante...) lá passámos uma horinha e algo a apreciar a casa e as restantes obras deste grande senhor que foi Gaudi. O homem realmente tinha uma visão da coisa bastante engraçada... Nós gostámos.
Depois de sair de lá fomos passear um pouco mais, pelo que fizémos, a pé, todo o passeig de Grácia, toda a rambla, todo o port vell e todo o port olimpic, até chegarmos ao bar onde íamos todos ver o jogo espanha-russia! Estávamos um bocadinho cansadas... Mas festejámos a vitória espanhola, no habitual kebab. Depois do jogo, as minhas alemecas foram para casa, eu fiz o mesmo com a minha mãe, e os meus loucos meninos foram para um bar, encontrar-se com outra gente.

Sexta feira, dia 27 de Junho, tivémos exame de manhã... Saímos de casa super cedo, e a morrer de medo do exame, chegámos à sala e morremos de pânico com as perguntas. Uma hora e pouco depois, saímos da sala, todos deprimidos com o nível de complexidade do exame, e o baixo nível de estudo que tínhamos feito. Agora é esperar para ver...
Acabado o exame, a minha mãe foi ter à UAB, por onde andámos um bocado, vendo as vistas e comprando pensos para as bolhas. Depois de uma pequena tour pela faculdade, viémos a casa almoçar, descansámos um bocadinho do calor infernal que faz nesta cidade, e dirigimo-nos ao camp nou! Esperançadas em entrar no segundo maior campo de futebol do mundo, andámos, andámos, andámos, e não entrámos porque tinhamos de pagar 17€ para olhar para o campo. Temos mais que fazer ao dinheiro!!!
Comprámos umas águas e seguimos caminho, até ao tibidabo, para ver de perto o parque de atracções. Parámos antes na mirabé (a discoteca que tem vista para toda a cidade), mas estava fechada, pelo que nos contentámos com o Mirablau, o bar ao lado da discoteca, que partilha da mesma vista fantástica. Deixámo-nos absorver pela imensidão da cidade, e depois fomos até ao funicular para subir a montanha. Eram com isto 17.15h e a última viagem era às 18h... Tívémos sorte... Subimos a montanha, entrámos no parque, tirámos fotos, espalmámos moedas (literalmente... havia uma máquina à entrada que espalmava moedas de 5 centimos e grava nelas uma imagenzinha do Tibidabo. Muito fixe!), vimos um casamento (ou os seus convidados mais propriamente) e voltámos a descer. Há que dizer que todos os momentos passados na rua, foram passados suando!
Chegadas a casa, tomámos os banhos da vida e fomos para o bar da tuga louca, comer bocadillos e beber cervejas e caipirinhas, com o Fábio, Mariola, Lisa e Claudia. Tendo em conta que estávamos as duas a morrer de sono, deixámo-nos ficar até à 1 e tal da manhã, mas desistimos pouco depois e viémos dormir. Eles deixaram-se ficar...

Sábado, dia 28 de Junho, aproveitámos a manhã para dormir um bocado e a hora de almoço para continuar dormindo, e pela parte da tarde dirigimo-nos a montjuic, para ver o castelo, o estádio olímpico e o MNAC. Não, não esntrámos no MNAC nem na fundação do Miró, mas apreciámos tudo por fora, que é o que mais no agrada, e é barato também... Passámos aí grande parte da nossa tarde, até que às 20h e muito decidimos regressar. Outra vez suando, fomos para casa, tomámos um banho, e eu fui ter com o Fábio e a Mariola que já estavam no bar. A minha mãezinha ficou em casa a recuperar as forças.
Pois, no tal bar, eu bebi uma coca cola e comi um cachorro, enquanto os outros dois emborcavam caipirinhas e mojitos. Do bar partimos directos para "barracas", um festival que decorreu durante o fim de semana, que era uma mescla de sudoeste com festa do avante. Muito muito muito louco! Já tinha saudades daquele ambiente de sudoeste... Gostei. E ouvimos bandas bem fixes! Kimbala é o melhor (um grupo de percussão, que tocava com tambores, guizos, pandeiretas, etc e tal e fazia os melhores ritmos! Parecia carnaval!) Eu deixei-me ficar no festival até às 5h da manhã, o Fábio manteve-se com outro pessoal até de manhãzinha. Chegada a casa, levei a minha mãe ao ferrocarril e aparrei completamente, até à uma da tarde de domingo!


Domingo dia 29 de Junho, trabalhei. Mas trabalhei a sério! Acabei finalmente o relatório para a ESE!!!!!!!!!! Festejem, que é caso para isso! Assim, passei o dia a trabalhar, mas às 19h fui tomar um banhinho e vestir-me para o festão que havia à noite, depois da final España - Detschland (VIVA A ESPAÑAAAAA!) num bar chamado "Be cool". A final foi vista em casa da Lisa, com um montão de espanhóis gritando, e ela, Claudia e outra amiga delas, olhando e vendo o seu lindo país ir por água abaixo na final da eurocopa. O que interessa é que no final do jogo estávamos todos unidos e todos gritávamos por españa! No be cool o pessoal festejava, e grande parte da minha noite foi passada na rua, pois já não podia com o calor que se fazia sentir. Ainda assim, acho que estava mais fresco na discoteca do que na rua... Dançámos muuuuuuuuito, rimos muito, abanámos muuuuuuuuuuuuuito os leques, e no final, pensámos muuuuuuuuito em ir tomar o pequeno almoço, mas preferimos apanhar muuuuuuito rapidamente um táxi e ir para casa. Desta vez, adormeci no comboio, mas acordei duas estações antes de sant cugat, por isso não houve sustos.

Hoje, segunda feira dia 30 de Junho, estive na piscina grande parte da tarde (porque acordei às 13h...) e quando voltei, há uma hora e pouco, fui comprar pão, fiz um bocadillo de atum, escrevi-vos, e fiz mais um bocado das malas... É estranho, pensava que me ia custar mesmo mais, mas acho que em parte não dói tanto, porque o quarto se mantém quase igual. Acho que o pior vai ser tirar as fotos e o mapa das paredes. Tirar as coisas que o identificam como sendo o meu quarto e não apenas um quarto... No dia em que tiver de ser será, e vou tentar que seja rápido, para não custar tanto. Por enquanto penso no bom que foi, no bom que está a ser, e no bom que será quando voltar, em agosto, ou um dia mais tarde...

terça-feira, 24 de junho de 2008

Bons dias leitores assíduos (e escassos cremos nós...) deste diário das nossas vidas!

Ora então, sexta feira dia 20 de junho, depois de um início de tarde passado na nossa piscininha, fazendo 30 por uma linha (adoramos esta expressão) à Mariola, fomos para casa, e tentámos trabalhar. Às 18h, mais coisa menos coisa, a Ana foi fazer as compras para o jantar (vinho!!) e mais uns recados, como pôr o lixo e as coisas para reciclar, nos recipientes adequados. No caminho de volta ouviu um "señorita, puedo ayudarla?" ao que respondeu com um simpático "no gracias!" mas quando olhou viu que era Mauro, o italianito, que chegava mais cedo para aproveitar a piscina. Desta feita, quando chegaram a casa, pousaram as compras, chamaram Mariola e foram os três para a piscina. Fábio já se havia duchado, por isso ficou por casa a trabalhar no relatório.
Perto das 20h subimos, arrumámos as últimas coisas para receber as pessoas cá em casa e por volta das 21h, já com toda a gente cá em casa, os italianos começaram a cozinhar a sua pasta. Bebendo e comendo batatas fritas, os outros pelintras esperavam todos o jantar. Depois de um óptimo repasto italiano, comemos o bolo de anos do Fábio (o resto que cá havia) e fomos para a outra parte da sala jogar - isto por volta da 1h já...
O primeiro jogo foi mais a atirar para a parte sensorial, e consistia em reonhecer as pessoas primeiramente pelo cheiro, depois pelo toque nas mãos e por fim tocando na cara. É claro que quem está no papel de reconhecedor tem os olhos vendados... Este jogo foi ideia da Ana, mas todos gostámos.
O segundo jogo, à semelhança do que se passou há uma semana atrás, serviu para nos conhecermos todos ainda melhor...
Perto das 5h da manhã, os nossos amigos decidiram ir para casa, pelo que Mariola e Ana, as corajosas, resolveram ser simpáticas e levar Fran a casa, porque tinha de andar muitíssimo. Fizémos então um divertido e pré-adormecido caminho até cerdanyolla del vallés e voltámos para trás. Chegámos a casa e morremos até ao dia seguinte.

Sábado dia 21 de junho, Ana acordou para a bela realidade de que a sala estava um asco. Guardanapos de papel usados, copos com sangria e manchas várias pelo chão e móveis decoravam a divisão. Ana, que estava mais morta que viva, afastou o lixo no sofá e deitou-se nele a morrer, descarregando as fotos e vídeos da noite anterior. Quand acabou de o fazer, decidiu recapitular o seu erasmus através de fotografias. Não será necessário dizer que 10min depois de estar a ver fotos, Ana estava lavada em lágrimas. Mariola entrou na sala, viu Ana, chorou a rir durante um bocado, e começou a limpar a sala. Ana acalmou-se e seguiu-lhe o exemplo. Depois de limparem tudo e suarem que nem umas porcas, as nossas aventureiras foram fazer o almoço e acordar o Fábio, que se mantinha adormecido no seu quarto. Depois de uma belíssima cacerola de legumes com arroz, a família erásmica dirigiu-se aos seus aposentos, onde adormeceram os três. Pouco tempo depois, Ana foi visitar Fábio ao seu quarto e, no seguimento de uma conversa entre o casal, deu-se mais uma sessãozinha de choro e lágrimas. Umas horinhas depois de trabalharmos um bocadinho, decidimos ir ao bar da tuga louca, comer uns bocadillos. Pela última vez nesse dia, os três começaram a falar do fim de erasmus, pelo que Ana recomeçou a dose de choro, no meio do bar. Fábio pedia a Mariola "não lhe toques por favor, senão não pára mesmo!", o que fazia Ana rir e chorar ainda mais... Enfardámos uns quantos bocadillos e umas bravas, e pusémo-nos a caminho de casa para vermos um filme. "O que é que decidiram ver?" perguntam vocês. "Um óptimo filme!" respondemos nós - Scary Movie 3! O que é que aprendemos? Que o 3 é triplamente pior que o primeiro, que já de si era muito muito mau... Pelo menos serviu para reflectirmos um momento sobre os filmes maus que se fazem, ao que se seguiu um bom momento de sono, prolongado até à manhã seguinte

domingo dia 22 de junho, acordámos perto das 8.30h, fizémos uns bocadillos, e esperámos pelas nossas amigas alemãs, para irmos passear até Sitges. Depois de perto de uma hora a andar de carro, porque Mariola se perdeu, os 5 saíram felizes e contentes (ainda que moles) do carro e dirigiram-se à praia, a 10/15 minutos de caminho a penantes... Chegados lá, reparámos que o mundo inteiro tinha escolhido esse dia para visitar Sitges. As praias estavam apinhadas e, segundo percebemos, as pessoas aqui gostam de se sentir sardinhas em lata, porque estavam todas coladas.
Procurámos, em vão, uma praia com mais espaço enquanto morríamos assados ao sol, até que desistimos e abancámos numa praia que, mesmo assim, era a mais vazia de todas. Depois de apanharmos todos queimaduras de 3º grau nos pés, por causa da temperatura a qe estava a areia, percebemos que não nos podíamos descalçar todo o dia e que, caso não quiséssemos levar os chinelos para o mar, tínhamos de dar uma de Speedy Gonzalez e correr até à água. Por volta das 14h, Mariola e Fábio tomaram a sensata decisão de irem comprar um chapéu de sol, enquanto as três chicas ficavam na areia a tomar conta das mochilas e a fazer uma vaporizaçaozinha da pele. Mais limpa do que a nossa pele ficou nesse dia deve ser difícil. Quando chegaram com a sombrinha, a Ana apertou-se lá para baixo bem como Mariola e Fábio. Lisa e Claudia mantiveram-se ao sol mais um bom bocado. O sol estava tão forte, que mesmo pondo creme de todas as vezes que ia ao mar, ficando debaixo da sombra e etando já morenita, Ana apanhou um mini escaldão no peito! Das costas da Mariola não vamos falar...
Seguidos a um óptimo dia de praia, vieram uns ainda melhores sumos de frutas, refresco de café, orchata com gelado e um gofrecom chocolate e nata. A estes seguiu-se uma outra viagem até ao carro, desta vez debaixo da sombra do chapéu de sol, e outra viagem de carro até barcelona.
Um pouco a correr, Ana e Mariola tomaram banho e saíram de casa, perto das 21h, para ver o jogo España-Itália, com os nossos amigos. Considerando que levávamos 40min a chegar ao bar onde estavam todos e que o jogo começava às 15h para asnove, quase não estávamos atrasadas. Quando chegámos ao bar faltavam 30 min para o apito final, pelo que Ana entrou de rompante, rezando pelo 0-0 e os penaltis de que tanto gosta. Mariola manteve-se fora da confusão ficando à porta do bar. Ana, Fran e os franceses, entre os quais Max, gritavam por Espanha como loucos. Nos penaltis, os três amigos davam mãos, faziam figas, gritavam, saltavam, tudo e mais alguma coisa. Ganhando a Espanha, o bar que estava cheio de italianos, caiu quase no silêncio, não fossem os poucos apoiantes de espanha estarem no auge.
Como é já costume, depois de um jogo no 12+1, dirigimo-nos ao kebab para jantar, mas como fomos todos, estava demasiado cheio, pelo que saímos e fomos ao mac donalds (igualmente saudável...)
Saídos do mac, o grupinho começou a andar para a praia para o botellon de despedida dos nosso gregos, não sem antes parar em 3 ou 4 bares, que em muito eram semelhantes a Santos, para dar um "pezinho de dança" (hoje estamos inspirados!). À festa nos bares, seguiu-se a festa na praia, muito bem passada, lançando foguetes, falando, fotografando tudo e algo mais. Por volta das 4h, houve um grande grupo que decidiu ir embora, pelo que Ana, que já se encontrava sozinha, pois Mariola tinha ido para casa ainda antes do jogo acabar,os acompanhou. Apanhou o nitbus, não adormeceu, foi para casa e dormiu até tarde.

Domingo, dia 23 de Junho, depois de uma tarde passada a fingir que se trabahava cá em casa, voltámos a sair para o bar da tuga louca, onde voltámos a comer uns bocadillos, mas porque era este dia especial, o Fábio variou e pediu umas bravas e um bocadillo com frango e tomate. Só para variar um bocadinho... Após umas horitas no bar, achámos por bem dirigirmo-nos ao rembrant, um bar ao pé da marina, onde os nossos amigos ESNienses nos esperavam para irmos todos para a praia, festejar o Sant Joan.
Já que a rua onde ficava o bar se chamava marina e há uma paragem de metro com esse mesmo nome, decidimos sair lá e ir o resto a pé. O que nós não contávamos era que a estação de metro ficasse no cimo de uma avenida tipo avenida da liberdade e o bar no final da mesma, pelo que andámos durante quase 30 minutos. Mas foram uns 30 minutos divertidos, sempre a ouvir foguetes e petardos a serem rebentados ao nosso lado e a Ana aos berros de cada vez que isso acontecia.
Depois de umas horas no bar, a comparar caras com personagens de cinema e a fazer parvoices com comida, saímos em direcção à praia. Sempre a ouvir foguetes, petardos e gritos da Ana.
Já na praia havia um mar de gente, mas um senhor mar... Nunca tinhamos visto tanta gente reunida na praia à noite... Deu algum medo, mais com o barulho dos foguetes e tudo! Pois a noite foi repelta de cantorias, guitarradas e mijo, que abundava naquele chão... Agora que pensamos nisso, andar descalços na praia não foi das melhores ideias, mas havemos de sobreviver, porque felizmente ningém se magoou. Alguns foram ao mar, outros (como nós) mantiveram-se seco e quentes até às 3h (no caso do Fábio) e até de manhã (no caso da Ana). Como não podia deixar de ser, assim que as primeiras despedidas começaram a ser feitas (porque foi a ultima noite para muitos) Ana entrou num pranto que só parou uma hora depois...
Chegada a casa, a Ana foi dormir, perto das 8h, para acordar, sem sono, às 11h e começar a trabalhar no seu relatório.

terça feira dia 24 de junho, o dia foi passado a trabalhar, até Às 18h, hora em que saímos em direcção ao cinema para ver Sex and the city com a Lisa, Claudia e Mariola! Nunca pensámos gostar tanto do filme... Ao sairmos da sala estava Ana e Lisa lavadas em lágrimas, Fábio, Mariola e Claudia com olhinhos de choro, mas mais controlados que as outras duas madalenas. A seguir ao filme viémos para casa e fomos dormir...

Hoje, quarta feira dia 25 de Junho, os nossos aventureiros tiraram mais um dia para trabalharem nos seus relatorios, para estudar para o exame de sexta feira e para acabarem outros trabalhos que urge entregar. Numas horas, Ana irá ao aeroporto com Mariola para ir buscar a sua mãe que chega para mais uns diasinhos na Ciudad Condal e levar depois parte da bagagem da sua filha (há filhas abençoadas!!)!

a todos os outros um beijinho e um abraço
vemo-nos dentro em (demasiado) pouco


quinta-feira, 19 de junho de 2008

que ha pasado estos dias?

Alo pessoal! Aqui vos escrevemos, depois daquele que foi o mais stressante jogo de futebol da história desta eurocopa 2008, para vos contar os nossos dias últimos.

Terça-feira, dia 17, despertámo-nos a horas normais de erasmus (por volta das 11.30h) e fomos para a faculdade para apresentar um trabalho de Didática da Língua, sobre a conversação em crianças de 2 anos e meio. É efectivamente um tema que nos interessa imenso e que nós adoramos (ou não!)... Depois de lá chegarmos à hora marcada na agenda da Ana e de não encontrarmos ninguém, dirigimo-nos ao gabinete da ilustríssima professora. Esta, ao ver-nos, diz com ar de espanto "O que é que vos aconteceu?!" ao que nós respondemos "nada, chegámos agora mas já não estava ninguém na sala, por isso viémos cá... A aula não começava às 13h??" professora: " não.. a aula começava às 9h e terminava às 13h..." nós (principalmente a Ana que já não estava com paciência para merdas) "Oh professora, nós na quinta feira passada tivémos cá consigo e perguntámos-lhe a que horas era a aula, ao que a professora nos respondeu "à hora normal...", que é que queria que pensássemos?? que era a hora a que é normalmente a aula, não?!" professora: "Mas vocês já deviam saber que as horas das aulas mudam neste mês.." nós: "professora como é que nós havíamos de saber isso se ninguém nos consegue informar de nada, porque somos erasmus e ninguém sabe omo funcionam as coisas para nós??" professora (cheia de razão, mas feita vaca!): " se viessem às aulas sabiam disso..." A isto nós tivémos vontade de responder com uma gargalhada monumental, mas achámos melhor baixar a cabeça dizer que sim, entregar o trabalho escrito e sair dali rapidamente. É claro que podíamos ter ido às aulas e saber das coisas, mas na última vez que tivémos com a mulher, perguntámos especificamente a que horas era, se era a hora normal, porque sabíamos que os horários mudavam um bocado neste mês, e confirmámos que eram estas as horas ao que ela respondeu que sim, vendo a Ana escrever as horas. Por isso a professora quis mesmo ser otária. Mas enfim, tá entregue o trabalho e o assunto já nos cansa... Depois do drama, dirigimo-nos a casa com planos de ir passear e tirar fotografias à cidade (a Ana) e de fazer o relatório para a Ese (o Fábio). Chegados a casa comemos, e enquanto o Fábio trabalhava, a Ana foi descarregar as fotos da máquina para o pc. O que é que aconteceu? Esta adormeceu, e quando se despertou umas horas depois, chovia... Ana saiu de casa, tirou umas quantas fotos a sant cugat, fez umas quantas compras, voltou a casa, comeu e saiu para o jogo de futebol de Itália-França. Enquanto isto, Fáio, Mariola e Vitor jogavam trivial, que tem sido o jogo mais apreciado cá em casa!
Depois de muita festa por Itália, e alguma pena por França, Ana voltou a casa e foi dormir.


Quarta-feira, dia 18, os nossos aventureiros levantaram-se cedo (realmente cedo!!!! às 9.30h estávamos a sair de casa...) e foram para a escola, para fazer um trabalho de grupo de inglês, que ia ser apresentado hoje! Temos que referir aqui que, tal como já tinhamos constatado antes, as nossas colegas da aula de inglês são mesmo burras! Nós nunca fomos muito adeptos de preparar as apresentações dos trabalhos à letra. Preferimos saber o tema e improvisar as palavras na altura. Pode não ser o melhor método, mas para nós funciona. Elas não. Como era em inglês, escreveram todas as palavras ao detalhe. Até as interjeições ficaram escritas, para que não se esquecessem de nada!! Isto é doentio... Enfim... Saímos do tal encontro para o trabalho e viémos para casa. Chegados, Ana e Victor saíram para verem alguns dos sítios mencionados no livro "A sombra do vento" de Carlos Ruiz Zafón (realmente bom o livro!) enquanto Fábio se manteve em casa, mudando o seu visual.
Ana e Victor fartaram-se de tirar fotografias à cidade e, embora tenham passado em poucos sítios mencionados no livro (já que as ruas existem mas as descrições dos sítios partem da imaginação do autor), passearam por ruas nunca antes vistas. Victor aproveitou para ver a sua cidade do ponto de vista de um turista, e é isso que Ana vai fazer quando chegar a Portugal. Ver a sua cidade e conhecê-la, como um verdadeiro turista. É uma tristeza viver numa cidade 19 anos e conhecê-la tão pouco...
Depois de um cansativo dia a andar, Ana e Victor dirigiram-se a casa e passaram o resto da tarde, juntamente com Mariola, na piscina a fazer parvoíces. Por volta das 19h, Ana foi tomar banho, comer qualquer coisa e saiu para o jogo de Espanha, na companhia do seu esposo. Os dois, felizes e contentes, reviveram os primeiros tempos de erasmus, em que tudo era feito a dois e as conversas não acabavam. Gostámos!
Chegados ao smoking dog, onde íamos ver o jogo, encontrámo-nos com Lisa, Claudia e Laura e, uns minutos depois, Fran. Viram (ou não...) o jogo todos juntos, falando muito e planeando uma festa para amanhã cá em casa. Depois do jogo terminar, fomos comer uns kebabs (que têm sido a refeição a que mais temos recorrido nestes meses) e arrancámos para o cyrano (a 5 minutos de caminho). Como é apanágio do Cyrano, bebemos muito e por muito pouco, falámos muito, rimos muito, tirámos muitas fotos e gozámos muito. Como aqui também há quefrôs, o Fábio teve o gesto amoroso de comprar uma rosa à Ana. Tão querido, a Ana gostou! Pouco tempo depois, os dois aperceberam-se que a rosa foi vendida já partida, com o caule colado com fita cola e um palito no meio, para fixar melhor. É claro que a parte das pétalas estava sempre a cair, pelo que a Ana teve de guardar a rosa na mala quando entraram para o Mojito. Esta foi uma discoteca descoberta por Jordi, a 20 metros do cyrano. Entrámos todos gratuitamente e aí bombámos, morrendo de calor, até por volta das 5h, hora a que fechou a discoteca. Fora da discoteca, discutimos o caminho que tinhamos de seguir para chegar à Plaza Catalunya e, depois de alguns minutos a andar, o Victor, o Fábio, a Ana, o Max e o Fran, chegaram à tão esperada praça. Ana discutia com Fran as horas a que passava o último nitbus, insistindo ela que passava um às 5h e um às 5.30h, enquanto ele dizia que o último nitbus era às 4.30h. Insistindo no seu ponto, e apoiada por Fábio e Victor, Ana dirigiu-se com os dois rapazes para a paragem do nitbus, enquanto os outros dois (Max e Fran) desciam a rambla em busca de algo para comer.
Quando os três Sant cugateneses chegaram à paragem, depararam-se com o facto de que, efectivamente, o Fran tinha razão e o último nitbus saía às 4.30h, pelo que lhe telefonaram, dizendo que haviam perdido o autocarro e por isso iam ter com eles!!! Comendo umas sandes um bocado nojentas e umas batatas, Fran e Max vieram ao nosso encontro a meio caminho das ramblas, e ficámos na conversa os cinco mais uns minutos. Entretanto lembrámo-nos que o ferrocarril abria às 5.30h e que por isso já podíamos ir para casa há uma boa meia hora. Entrámos os 5 no metro (porque já não tinhamos forças para subir a rambla andando) e Victor, Fábio, Fran e Ana, saíram na praça da catalunha, enquanto Max continuou no metro até à sagrada família.
Chegados à estação, Fran foi a correr apanhar o renfe, que sai a horas certas, e nós os três fomos, andando, até à estação de ferrocarril para apanharmos o comboio até casa. Chegados à estação, vimos que o comboio estava a ponto de sair, pelo que começámos a correr, o que fez com que a rosa da Ana se separasse de vez, rolando a parte das pétalas para baixo do comboio! Ana ficou realmente triste... Ao menos podia ter sido a parte do caule a cair, mas não... Quando entrámos no comboio Victor pediu-nos "eu vou dormir agora porque não tenho tempo de dormir em casa (tinha de acordar às 8h), por isso acordem-me quando chegarmos, ok?" Fábio e Ana, rindo, disseram "bazamos sem lhe dizer nada! ahah". Isto Victor ainda ouviu, pelo que nos lançou um olhar de "tentem, a ver o que vos acontece!" e adormeceu. Nós os dois, que somos crueis até dizer chega, lembrámo-nos de nos dirigirmos à porta do comboio em Valldoreix (a paragem antes de sant cugat), abrirmos a porta e gritarmos "Victor é aqui sant cugat". Assim o fizémos. Em Valldoreix, levantámo-nos e quando o comboio parou, abrimos a porta, olhámos para o Victor e dissémos "Victor vamos!". Os 10 minutos seguintes foram passados com o comboio todo a rir, o Fábio e a Ana a morrerem de dores de barriga de tanto rir, e o Victor a acalmar o coração que entretanto quase lhe tinha saído pela boca. O ar do Victor a acordar e a orientar-se para sair rápido sem deixar nada para trás, foi algo que devia ter ficado gravado em vídeo!! É nestes momentos que não temos a câmera...
Bom, chegando a casa, os nossos aventureiros dirigiram-se às suas camas e programaram os despertadores para duas horas depois (Victor não dormiu, pelo que não pôs despertador). Às 10.30h, Fábio e Ana saíam de casa, morrendo de sono, para apresentarem um trabalho de inglês sobre o conto do Peter Rabbit, de Beatrix Potter. A apresentação passou-se bem, embora nós os dois tenhamos feito um esforço imenso para não nos rirmos com o inglês que era falado ali! Ana relembrou-se da sua infância quando um dos grupos utilizou um projector azul com uma lâmpada pequenina e uma manivela laranja, com umas cassetes com vídeos do pateta, rato Mickey e pato Donald, igual à que ela tinha quando era criança. Saudades...
Saído da faculdade, o casal encaminhou-se para casa, comeu umas tostas mistas e Ana saiu para a praia com os seus meninos, enquanto Fábio se mantinha fiel ao seu relatório e se manteve a trabalhar.
Com Max, Fran, Mauro, Dorian, Matteo e Claudia (por duas horas), Ana passou uma óptima tarde na praia, à qual se seguiu uma sessão de choro no bar 12+1, quando Portugal foi eliminado da Eurocopa. Ana, que não liga nenhuma a futebol, chorou pela primeira vez quando a Alemanha marcou o segundo golo! Os estrangeiros olharam-na como se fosse um et, e ela própria não se reconheceu quando as lágrimas assomaram aos seus olhos...
Já a tarde de Fábio, foi passada com Mariola e Victor os três dormindo regaladamente nos seus sofás, aproveitando o solinho que entrava pela sala dentro, ao que se seguiram uns momentos no bar da senhora portuguesa (aquela que segundo a Mariola "Está louca!")...
Chegada a casa, Ana partilhou com Fábio a sua tarde, Fábio fez o mesmo, e depois foram dormir.

Amanhã, sexta feira dia 20, temos festa cá em casa, pelo que Ana irá aspirar a casa, e não vai fazer jantar, já que Mauro se ofereceu para cozinhar um prato típico italiano. Ainda assim, tentaremos fazer algo tipicamente português, para lhes deixar água na boca.
Planeamos, para o resto do dia, trabalhar nos nossos relatórios, já que o prazo começa a apertar, e o fim destes também já está perto (felizmente!).

Entraremos em pormenores da festa amanhã ou depois.

a todos, um beijinho e um abraço

quarta-feira, 18 de junho de 2008

reflexion II

Primeiro que tudo caros leitores, há que referir que vos mentimos no último post. Isto porque de todas as vezes que é referido que "a Ana fazia tudo, menos estudar", "a Ana passou uma produtiva tarde a ler uns quantos apontamentos e a fazer 18737 coisas mais, nas entrelinhas", "Ana manteve-se em casa a fazer outras coisas (entre as quais tentava estudar qualquer coisinha)", "Depois de umas horinhas na piscina, Ana subiu e foi preparar a casa para a festa de anos 80 que acontecia nesse dia cá em casa, perdendo assim o segundo jogo de Portugal, porque não estava a passar na televisão", "Ana voltou a S.C., onde se deparou com uma falha nas pilhas da máquina. Triste e desanimada, estava a voltar para casa quando encontrou Victor num café e se sentou com ele", Ana não estava fazendo nada disso...
O que eu estava a fazer em todas essas alturas, juntamente com o Victor e com a Mariola (quando ela podia) era planear a festa surpresa para o Fábio, que decorreu sábado à noite, na praia de Barceloneta, e fazer um álbum de fotos destes 4 meses aqui passados... Pedimos desculpas pela mentira, mas o Fábio também acreditou em todas elas, embora achasse estranha tamanha amizade repentina entre mim e o Victor, que ultimamente passava algum tempo a mais a entrar e a sair do meu quarto...


Agora, perguntam-me vocês, "Ana, o balanço final do Erasmus é positivo?", respondo-vos que é mais do que positivo. É certo que não foi sempre fácil, tivémos muito trabalho (demasiado atrever-me-ia a dizer) e deparámo-nos os dois, pela primeira vez, com a dificuldade que é viver com alguém diferente das nossas famílias. Não foi fácil, não foi um mar de rosas e provavelmente, sou sincera, se pudesse repetir a experiência, faria tudo igual mas sugeriria vivermos em casa diferentes. Não por não gostar de ti Fábio, porque sabes que não é verdade e acho que não posso fazer mais nada para to demonstrar, mas apenas porque o facto de vivermos juntos e termos rotinas iguais nos cansou mais. Mais facilmente se criavam atritos, mais facilmente se criaram silêncios.
Obviamente também não digo que foi tudo mau. Gostei muito de viver com ele pelas coisas que isso me fez aprender. Aprendi coisas em mim, coisas nele, coisas na vivência a dois e, principalmente, diverti-me muito nalguns momentos. Felizmente, na maior parte dos que passava em casa, que esses sim foram poucos.

Passei pouco tempo em casa, não por estar sempre em festas, não por estar sempre a beber e a dançar, mas porque fiz amigos e disfrutei de momentos com eles. Disfrutei também de momentos sozinha que me souberam bem e me permitiram meditar e pensar mais em como solucionar as coisas.
Por outro lado, o passar pouco tempo em casa, permitia-me abstrair do facto de que não estava em Portugal, de que nos momentos dificeis não podia contar com as minhas meninas, ou com a minha tuna. Que nos momentos em que precisava de mimo e do conforto de um abraço, não podia recorrer à minha mãe, ao meu pai ou ao meu irmão. Pensei, e penso ainda hoje, que o passar muito tempo agarrada às memórias de Portugal, ia fazer com que não aproveitasse a cidade e a vida que ela me trouxe. Estou verdadeiramente feliz por ter tido a independência de sair de casa sozinha, ainda que no princípio tenha custado muito, e aproveitar as experiências que só poderia viver nestes 5 meses.

Sei que pensas que por vezes me esqueci de ti, mas acho que te provei vezes suficientes que estiveste sempre na minha cabeça, e que a minha prioridade (depois de mim mesma obviamente) eras tu. Tenho a confiança suficiente para arriscar dizer que poucos teriam lutado tanto por ti quanto eu lutei, e não me arrependo de o ter feito. O que não posso é viver a tua vida por ti e por isso respeitei as tuas escolhas. Nessas alturas o que te pedi foi que respeitasses também as minhas.

Como te disse várias vezes, como te demonstrei sempre que consegui e como te digo agora aqui, nunca me arrependi da decisão de vir para aqui contigo, porque tal como disse no início, volto a dizer-te: sem ti não seria a mesma coisa, não teria a mesma graça, não tiraria os mesmos ensinamentos. Aprendi com os momentos muito bons e com os menos bons, e agora tudo o que quero é voltar a Portugal contigo, meu esposo, e poder olhar nos teus olhos e ver a mesma saudade que eu vou sentir. Das noites cá em casa, dos sítios que vimos juntos, das saídas com as nossas meninas, dos relatos intermináveis dos nossos dias, da euforia da descoberta e do conforto do conhecido.

Porque gosto realmente de ti e espero que nunca ponhas isso em causa.

Para todos aqueles que aí estão, esperando por nós, aviso que já só faltam duas semanas para chegarmos aí, mas ainda faltam duas semanas para sairmos daqui...
O que quer que aconteça depois, o balanço é positivo e as memórias ficarão para sempre.

sábado, 14 de junho de 2008

ultimos dias

Ora bons dias boa gente! Há que tempos que não falávamos. Isto assim não pode ser, porque realmente temos saudades daqueles posts diários, com todos os detalhes de todos os movimentos que fazíamos. Porém, com a azáfama que marca os nossos dias, é complicado estarmos todos os dias a contar os pormenores.

Sem mais adendas, tentaremos contar-vos os nossos dias passados, com a promessa de tentarmos ser mais assíduos esta semana.

Segunda-feira dia 9 de Junho: lá nos levantámos cedíssimo, e fomos para o nosso exame de castelhano, para o qual o estudo tinha sido menos que nada... Com os nossos portáteis na mochila e o exame na mão, a professora lá nos encaminhou para fora da sala e disse "vão para onde quiserem, desde que estejam aqui às 10h com o exame na mão. Se vos vejo a falar com alguém cancelo-vos o exame". É claro que a digna senhora não fazia puto de ideia que tínhamos dois computadores na mala, pelo que fomos confortavelmente para o bar da faculdade, com os exames na mão, ligámos os pcs e começámos a trabalhar. O exame era só de ortografia por isso, cremos nós, o passar os textos para os pcs com o corrector ortográfico em castelhano, foi o suficiente para nos arranjar uma nota razoável. Veremos...
Entregámos o exame à hora certa e saímos a correr para uma outra sala, para apresentarmos o nosso estágio. É claro que nem o Fábio nem a Ana sabiam em que sala era e por isso ficaram à porta da sala onde habitualmente temos essa aula, à espera (do quê, não sabemos bem...). Passado uns momentos lá recebemos uma mensagem duma rapariga do grupo do Fábio a dizer onde era a sala. Depois de a encontrarmos, entrámos e esperámos pelas nossas vezes. O grupo do Fábio apresentou primeiro, terminando com um elogio ao desempenho notável deste durante a intervenção educativa.
Uns quantos grupos depois, foi a vez do grupo da Ana apresentar a sua intervenção, concluindo-a da mesma forma que o grupo do Fábio, por uma questão de cortesia (sim, viu-se nas caras delas que não tinham pensado nessa hipótese, mas desenrascaram-se bem...) Quando a apresentação do grupo da Ana estava terminada, os dois compinchas saíram correndo, para outra sala para fazer uma apresentação de um trabalho de castelhano. Sim, já que já tinhamos feito o exame mais valia ficar à espera na sala para apresentarmos o nosso e depois logo íamos apresentar o do estágio, mas por uma questão de organização dos grupos, teve mesmo de ser assim...
Depois de todos trabalhos apresentados, dirigimo-nos a casa mais mortos que vivos. O Fábio, que tinha os seus papás cá, aproveitou a tarde para passear enquanto a Ana fazia tudo, menos estudar... Por volta das 20h, a Ana pensou em sair de casa e ir ver o jogo de Itália com os seus amigos. No entanto, a consciência pesou-lhe e, por isso, ficou em casa a ver o jogo com o pai do Fábio, enquanto dava uma olhadela aos apontamentos dos exames do dia seguinte.
Depois de um jantar familiar, fomos para os quartos estudar mais um bocadinho e dormir. Por volta das 2h da manhã, o telemóvel do Fábio tocou, pelo que este se levantou, vestiu, comeu e começou a rever as coisas, até que percebeu que estava enganado nas horas e que o que tinha tocado não era o despertador mas sim uma mensagem. Sem desanimar, Fábio deitou-se na sala a ler, onde adormeceu regaladamente e dormiu até de manhã.

Terça feira, dia 10 de Junho: desanimados e pouco confiantes na matéria, os nossos diabos retiraram-se de casa e foram para os exames. O primeiro começava às 9h, pelo que a essa hora estávamos à porta da sala. Nós estávamos todos, a professora não. A digníssima, apelidada entre nós pela "bêbeda", apareceu um bom quarto depois, com os exames na mão mas sem a chave da sala. Depois de pousar tudo no chão (incluindo os exames) e dizer que ia buscar a chave, os alunos entreolharam-se e ela apanhou a ideia. Recolheu os exames do chão e, com eles debaixo do braço, foi à procura da chave. Quando ela saiu a risada foi geral. 5minutos depois estava de volta, pelo que o exame podia ter início. Disse-nos que podíamos fazer o exame em português, pelo que, com o pouco de matéria que tínhamos na cabeça, começámos a escrever. Cerca de uma hora e meia depois, o nosso exame tinha terminado, pelo que fomos a correr à sala de doutorado para começar o exame seguinte. O resto dos alunos já lá estava há uma boa meia hora, mas a professora tinha sido alertada de que tinhamos outro exame antes e que por isso iríamos chegar tarde, pelo que não houve qualquer problema. Com cada um numa ponta da sala, o nosso exame teve início a seguir à pergunta da praxe "em que língua escrevemos?". A esta pergunta, a professora respondeu à Ana que deveria contestar em castelhano, e ao Fábio que podia responder em português sem problema. Como estávamos longe, a Ana não a ouviu dizer isso e portanto escreveu tudo num castelhano bastante macarrónico. A culpa é da professora...
Quando todos os alunos haviam terminado o exame, a professora pediu-nos que a acompanhássemos ao seu gabinete e, aí, terminássemos o exame em paz. Lá o fizémos e, por volta das 13h pousámos as canetas.
Uma vez mais, dirigimo-nos a casa, o Fábio foi passear e a Ana passou uma produtiva tarde a ler uns quantos apontamentos e a fazer 18737 coisas mais, nas entrelinhas. Fazendo planos para ir gritar por Espanha (que agora é o seu segundo país) a Ana iniciou negociações com os seus amigos sobre sítios para ver o jogo. Acabou por não ver o jogo com ninguém porque o sítio não se decidia e o jogo não estava a juntar muitos adeptos. Assim, Ana manteve-se em casa a fazer outras coisas (entre as quais tentava estudar qualquer coisinha).
À noite, as nossas amigas Lisa e Claudia (e uma amiga sua vinda da Alemanha) jantaram cá em casa, numa comemoração do aniversário do Fábio, com a família toda. Neste jantar nasceu a "La Perla del vicio" - uma girafa de peluche oferecida pelas nossas amigas, ao aniversariante. (Qualquer dia haverá uma foto)
Depois de alguma sangria, muita conversa e muitas trocas culturais, a Mariola e a Ana desistiram de lutar contra o sono e foram dormir. Fábio ainda ficou um pouco mais com Victor e com a sua família.

Quarta feira, dia 11 de Junho: a Ana acordou às 8h, pelo que foi perguntar ao Fábio o que queria fazer: ficar em casa a estudar e ir para o exame mais em cima das 11h, ou ir à aula de revisões que havia antes do exame. Fábio preferiu ficar a dormir um pouco mais pelo que Ana, contente por não ir à aula de revisões - que a põem ainda mais nervosa - voltou para o seu quarto e ficou a ver apontamentos durante uma hora. Tinha tanto sono que achou melhor dormir uma horinha e ir disperta para o exame, pelo que o resto da manhã, até à hora do exame, foi passada a dormir. Às 10h e muito, saímos de casa e fomos fazer o último exame desta primeira vaga. Uma vez mais a professora disse-nos que podíamos responder na língua que nos desse mais jeito, pelo que Fábio respondeu a tudo em português, mas Ana, armada em carapau de corrida, respondeu em catalão (às perguntas de verdadeiro e falso), em castelhano (quando não se lembrava da palavra em catalão) e em português (às perguntas de desenvolvimento)... Foi engraçado!
No final do exame, e depois de um enorme berro de alívio (interior), os dois amigos dirigiram-se a casa, fazendo planos vários para a sua tarde. Fábio planeou ir a Montjuic com os seus papás e, daí, directo para o aeroporto, enquanto que Ana planeou uma tarde na sua piscina.
Depois de umas horinhas na piscina, Ana subiu e foi preparar a casa para a festa de anos 80 que acontecia nesse dia cá em casa, perdendo assim o segundo jogo de Portugal, porque não estava a passar na televisão. O tema da festa tinha sido sugerido pelos nossos companheiros de piso, pelo que passámos uma boa meia hora a rir uns dos outros. Fábio, que só voltou quando já cá estavam quase todos, foi tomar um duche rápido e vestiu roupa normal. Victor também. Ana e Mariola, tentaram ao máximo trabalhar as suas roupas para parecer anos 80... Assim, Ana vestiu a camisa mais larga que cá tem (que de larga tem muito pouco) e umas calças de ganga justas, com cintura mais alta, dobradas até ficarem naquela alturinha de "fugir à polícia"... Mariola, por seu lado, vestiu uma t-shirt verde de malha e atafulhou os ombros com cuecas, para fazer o efeito das ombreiras (tão lindas) que se usavam nessa altura. Ao conjunto juntou umas calças também dobradas pela altura bonita e um totó no alto da cabeça que lhe dava um ar um tanto ou quanto doente... (Uma vez mais, haverá uma foto ilustrativa num post futuro)
Os nossos convidados (que quando chegaram avisaram Ana do bom resultado do jogo) também não conseguiram arranjar roupa de anos 80 (graças a deus, é sinal que se foi toda quando devia...) pelo que, uma hora e tal depois de andarmos todos a gozar uns com os outros, a Ana foi trocar de roupa para algo mais confortável, mas manteve o cachecol português aos ombros... Mariola deixou-se estar.
A ideia da noite seria fazer jogos vários, depois de jantar, mas nem jantámos nem jogámos. Não jantámos porque as entradas foram o suficiente para encher toda a gente, e não jogámos porque andávamos loucos a pôr músicas e a fazer as danças mais parvas, mas mais divertidas que nos lembrávamos... A noite prolongou-se até às 4 e tal, hora a que os últimos convidados decidiram ir apanhar o nitbus, porque tinham exame no dia seguinte. Fábio e Victor ficaram a comer, mas Ana que já estava em coma de sono no sofá, decidiu ir aparrar para a sua caminha.

Quinta feira, dia 12 de Junho: Acordando por volta da hora de almoço, Ana decidiu ir tirar fotografias a Sant Cugat, que é coisa que ainda não tem... Depois de se dirigir à Floresta, para registar o local onde íamos morrendo de medo no início da nossa estadia (lembram-se, da viagem aleatória à Floresta?) e de aí tirar umas fotos, Ana voltou a S.C., onde se deparou com uma falha nas pilhas da máquina. Triste e desanimada, estava a voltar para casa quando encontrou Victor num café e se sentou com ele. Tentámos avisar a Mariola, que estava sem telemóvel e Fábio, que estava a dormir. Depois de uma hora no café, voltámos os dois para a nossa piscina, onde ficámos mais uma boa hora, até que Victor falou em crepes e Ana começou com desejos. Levantaram-se, foram chamar Fábio, e dirigiram-se a uma das muitas creperies de Sant Cugat. Aqui, para incrível espanto desta, fizeram um crepe de banana queijo e mel, como a Ana tanto ama. O estranho no crepe é que lhe puseram oregãos em cima... Um mistério... Fábio comeu um crepe de chocolate com banana e Victor, um crepe com queijo fiambre e ovo. Depois da crepalhada toda comida, dirigimo-nos a casa. Antes, Ana passou numa loja de sapatos a experimentar umas sandálias que, para lhe caberem, teriam de ser o 35, número que já não existia na colecção. Surreal!
Chegados a casa, tomámos um duche rápido e esperámos pelos convidados da segunda noite de jantar e festa. Estes chegaram por volta das 21.30h (tendo em conta que tínhamos combinado às 20h, não está mau...) e, depois de muitas batatas e sangria enquanto víamos o jogo Austria-Polónia, a Ana foi fazer o seu bacalhau à brás. Por causa da greve das gasolineiras, as empresas transportadoras deixaram de poder abastecer os supermercados, pelo que havia apenas 4 ovos para um jantar de 6 pessoas... Sem nada temer, Ana aqueceu a fabulosa carne com natas que a mãe do Fábio havia preparado num dos dias, e serviu-a também. É claro que tanto o bacalhau como a carne se foram num abrir e fechar de olhos, mas pelo menos todos gostaram e não ficaram com fome. Depois do jantar, a ideia seria ir ao karaoke, mas como Mariola não podia, pois estava a morrer de cansaço, essa ideia deixou-se de lado, e iniciaram-se os jogos que deveriam ter sido feitos na noite anterior. Digamos apenas que foi uma noite divertida em que nos conhecemos todos um pouco melhor...

Sexta feira, dia 13 de Junho: acordámos cedo, tipo 12.30h, (mais cedo a Ana que o Fábio...) e depois de um dia nada produtivo - piscina toda a tarde - a Ana perguntou ao Fábio se estaria interessado em vir gritar por itália (sim amigos, qualquer razão aqui serve para estarmos todos juntos a gritar por alguma coisa). Fábio respondeu que ficava em casa a trabalhar, pelo que Ana foi para Barcelona, dirigindo-se ao Smoking Dog, para ver o jogo. Aí chegada, estava, como seria de esperar, rodeada de italianos, pelo que só quando chegou Fran, Ana se sentiu mais acompanhada. Com um olho no jogo, outro na mala (que como sempre tinha a câmera lá dentro) Ana e Fran falaram durante horas, rindo-se de cada vez que a bola chegava perto da baliza da roménia, pois era motivo de histeria para todos os italianos. Ana de máquina na mão tentava registar esses momentos, mas sem grande êxito... Claro está que também não conseguiu registar o momento de maior euforia italiana (o golo), porque a máquina bloqueou e só disparou quando já estava tudo sentado outra vez. Foi um bom momento... Depois do jogo, Ana foi com dois italianos e Fran jantar, ao que se seguiu o jogo de França. A meio da segunda parte do jogo, Ana achou por bem voltar a casa e juntar-se à família erásmisca de sant cugat, já que tinha avisado que só ia ver o jogo de Itália e já voltava... Chegada a sant cugat foi ter com a família a um café de uma mulher portuguesa (que segundo Mariola, está louca da cabeça - e efectivamente tem demonstrações disso...) onde estiveram um bocadinho até este fechar. Dirigimo-nos a casa e fomos ver um filme os três. Mariola adormeceu 10 minutos depois dos créditos iniciais, Ana e Fábio mantiveram-se acordados. Quando o filme terminou, Fábio perguntou "bora ver outro?" e Ana "bora!", pelo que viram Chicago. Ana aguentou até uma hora de filme e acordou com os créditos finais a passarem, e Victor e Fábio rindo-se dela por ter adormecido a ver o filme. Foram-se deitar e dormiram dormiram dormiram...

Sábado, dia 14 de Junho: Ana acordou às 10h, os outros acordaram agora. Os outros almoçam cada um em seu quarto, Fábio na cozinha, e Ana escreve. Ana pensou várias vez esta semana, no final desta temporada. Ontem Ana apercebeu-se que lhe restam 2 semanas. Ana não gostou... Ana não quer sair daqui e os amigos de Ana dizem que também não querem que chegue dia 2. Esperemos que os amigos erásmicos de Ana se mantenham, tal como os amigos portugueses se mantiveram tão pertinho. Já está planeada uma viagem de volta no verão, umas quantas durante o próximo ano e, quiçá, uma permanente dentro de três anos. Veremos...
Mas o maior plano agora é disfrutar ao máximo de cada dia que falta, e recordar tudo, seja em mente, seja em fotos, seja em músicas.

Temos saudades, estamos felizes por voltar, mas não queremos sair. Ana mais que Fábio, porque Fábio vos ama a todos e sente a vossa falta. Ana também vos ama, também sente muito a vossa falta, mas também já os ama a eles e vai sentir a falta deles...

Sabíamos que ia chegar ao fim mais cedo ou mais tarde, só não sabíamos que era tão cedo...

A todos os que esperam por nós, o nosso beijinho